Ao participar da solenidade de inauguração de trechos duplicados da BR-116, na manhã desta segunda-feira (12) em Pelotas, o presidente Jair Bolsonaro anunciou um novo aporte de R$ 100 milhões nas obras, a ser efetuado ainda este ano pelo Ministério de Infraestrutura. Em discurso no encerramento da solenidade, o presidente disse que recebeu a notícia da liberação dos recursos pouco antes de embarcar para o Estado.

— Hoje de manhã, ainda na Base Aérea de Brasília, na frente de todos os deputados e senadores que estavam lá, o Onyx (Lorenzoni, chefe da Casa Civil) me trouxe o telefone do Paulo Guedes, nosso ministro da Economia, e ele nos garantiu ainda no corrente ano mais R$ 100 milhões para concluirmos mais um trecho de 55 quilômetros dessa rodovia — afirmou o presidente.

Na cidade gaúcha, Bolsonaro foi recebido com entusiasmo por um grupo de simpatizantes e, mais de uma vez, quebrou o protocolo, ao abraçar e posar para fotografias e ao caminhar por cerca de 30 metros junto aos gradis que separavam as autoridades do público.

Pouco antes, durante o discurso, o presidente prometeu que “em uma semana”, irá extinguir os radares móveis em atividade no país — conforme detalhou mais tarde, os equipamentos serão retirados por determinação do governo à Polícia Rodoviária Federal. Ele também repetiu a promessa de estender a validade das carteiras de motoristas e, cobrado pela plateia sobre o preço dos pedágios, encaminhou a questão ao ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.

— Ó Tarcísio, é contigo isso daí. Mas vai ser preço justo — afirmou.

No pronunciamento de pouco mais de 12 minutos, o presidente comentou ainda as eleições primárias na Argentina, vencidas pela esquerda ligada à ex-presidente Cristina Kirschner.

— Povo gaúcho, se essa esquerdalha ganhar aqui na Argentina, poderemos ter aqui no Rio Grande do Sul um novo Estado de Roraima, com argentinos fugindo para cá — disse Bolsonaro, em alusão aos refugiados venezuelanos que migraram para o Brasil.

Saudado aos gritos de “mito”, Bolsonaro abriu um sorriso e fez sinal de que depois iria se aproximar para cumprimentá-los. Em seguida, o presidente pediu à equipe de segurança que retirasse um dos gradis, permitindo que os apoiadores chegassem mais perto do palco.

— Pela primeira vez na história do Brasil vocês estão tendo um presidente que está honrando o que prometeu durante a campanha — afirmou, para efusão da plateia.

O presidente voltou a reafirmar que segue os preceitos da cultura judaico-cristã e dá prioridade aos valores da família, ao dizer que “essas questões são de extrema importância para nós”. Fazendo referência ao ministro da Cidadania, Osmar Terra, a quem compete as políticas culturais do governo, voltou a criticar a Agência Nacional do Cinema (Ancine).

— Quer fazer (filme sobre a) Bruna Surfistinha, vai fazer, mas não vai ser com dinheiro público, não — declarou.

Vaias durante discursos

Primeira a discursar, a prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas (PSDB), foi hostilizada por um grupo de simpatizantes. Tão logo começou a falar, Paula foi chamada de petista e comunista, junto a gritos de “cala a boca”.

— Que o senhor tenha força para levar adiante esse projeto, tenha sabedoria e serenidade para conduzir o Brasil ao lugar que ele merece — finalizou a prefeita, sob apupos da plateia.

Houve vaias também ao deputado estadual Zé Nunes (PT) e ao governador Eduardo Leite (PSDB), que estava em Brasília mas teve a ausência justificada pelo vice-governador Ranolfo Vieira Jr.

Na primeira fileira, sentado ao lado do presidente, estava o segundo-tenente reformado do Exército João Pereira da Silva, 95 anos, pracinha e ex-combatente da 2ª Guerra Mundial. De terno, gravata e medalhas ornando o peito, ele foi saudado em vários discursos e chegou a emprestar a boina para Bolsonaro, que por alguns segundos cobriu a cabeça com a peça do fardamento militar. O presidente citou o atentado que sofreu na eleição e agradeceu o voto recebido dos gaúchos.

— Nós tínhamos Deus no coração e o povo de bem do nosso lado.

A chuva forte, encorpada por trepidantes trovoadas, ameaçou a realização do evento. O temporal que começou no domingo e avançou pela madrugada persistia na manhã desta segunda-feira. Pouco depois das 9h, contudo, a precipitação cessou, o tempo começou a abrir e, por vezes, feixes de sol se mostraram ainda tímidos.

A melhora no tempo permitiu o desembarque de Bolsonaro às margens da rodovia, na sede da Ecosul, empresa que explora os pedágios da região. Havia alguns filiados ao PSL no local, mas o presidente não parou para cumprimentá-los. De Pelotas, Bolsonaro seguiu de helicóptero até Barra do Ribeiro, onde irá cumprimentar os militares do Batalhão de Engenharia do Exército responsável pela obra de duplicação do trecho.

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Fábio Schaffner / Agência RBS