Notícia de fontes de que o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, propôs retirar algumas tarifas impostas sobre produtos chineses para incentivar a China a fazer concessões mais profundas nas negociações comerciais levou otimismo aos investidores. Já por aqui, de acordo com analistas em renda variável, são altas as expectativas sobre o projeto de reforma da Previdência que será apresentado pela equipe econômica ao presidente Jair Bolsonaro.

Segundo um gestor de um fundo de investimentos, a espera é por uma mudança de regras que possam acarretar economias para os cofres federais perto de R$ 1 trilhão no prazo de dez anos. Fontes disseram ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que o ministro da Economia, Paulo Guedes, detalhará a reforma a investidores, políticos e empresários na reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça), na próxima semana. Isso, dentro de um contexto, de que, além das novas regras para a aposentadoria, as privatizações e a reforma administrativa estão sendo feitas pelo governo.

Analistas lembram que os dados da economia brasileira são positivos, com perspectiva de maior crescimento em um contexto de inflação e juros em baixa, o que garante a possibilidade de um lucro maior para as empresas. Aliás, do ponto de vista corporativo, Pedro Guilherme Lima, da equipe de pesquisas da Ativa Investimentos chama a atenção sobre a possibilidade de a Petrobras seguir com seu plano de desinvestimentos após queda de liminar que impedia, entre outras, a venda da TAG – um dos ativos mais valorizados.

Dólar

O dólar teve nesta quinta-feira a terceira alta seguida, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no exterior e com as mesas de operação na expectativa por novidades sobre a reforma da Previdência. Na sessão, o dólar à vista encerrou em alta de 0,42%, a R$ 3,7484, a maior cotação de fechamento desde 3 de janeiro (R$ 3,7579). O ministro da Economia, Paulo Guedes, deve dar mais detalhes do projeto durante o Fórum Econômico Mundial, na semana que vem na Suíça.

Dos seis últimos pregões, o dólar subiu em cinco e o real deixou de ser a moeda que mais ganhou valor perante a divisa americana no começo deste ano. Entre as principais divisas de emergentes, o dólar caiu mais na Rússia (-4,16%) e na África do Sul (-4,20%), enquanto recuou 3,28% aqui. Pela manhã, o dólar chegou a bater em R$ 3,77, o que fez alguns agentes acionarem mecanismos para reduzir perdas, o chamado “stop loss”.

Operadores ressaltam ainda que, quando a moeda superou os R$ 3,73, atraiu vendedores. Pela tarde, desacelerou o ritmo de alta, acompanhando a perda de fôlego da moeda no exterior, sobretudo ante o peso mexicano, e a notícia de que Guedes dará detalhes sobre a reforma na Suíça.

O texto da reforma ainda não está fechado, mas deverá ser apresentado ao presidente Jair Bolsonaro antes da viajem para o evento, que vai dos dias 22 a 25. A falta de novidades mais concretas sobre a Previdência manteve o mercado em compasso de espera nos últimos dias, na medida em que boa parte da melhora dos preços do real e de outros ativos locais se baseou em expectativas sobre o texto.

A avaliação do Bank of America Merrill Lynch é que a aprovação do texto permanece desafiadora, mas as perspectivas de governabilidade de Bolsonaro melhoraram. “O apoio de partidos do centro e a composição mais à direita do Congresso podem aumentar a governabilidade e ampliar as chances de aprovação das reformas”, destacam os economistas David Beker e Ana Madeira, ressaltando que o apoio do PSL para a reeleição do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) é positivo para o avanço das medidas.

Se o texto e outras medidas de Bolsonaro, como a agenda de privatizações, avançarem como o esperado, o BofA projeta que o Brasil vai receber mais recursos externos, tanto para o mercado financeiro como para investimentos, e o dólar pode terminar o ano na casa dos R$ 3,60. O banco projeta que o investimento externo direto deve crescer para US$ 90 bilhões em 2019, ante US$ 85 bilhões do ano passado. Ainda entre os bancos estrangeiros, o HSBC avalia que o Brasil é um dos emergentes mais atrativos este ano.

A instituição, porém, está mais pessimista sobre o real e vê o dólar na casa dos R$ 3,80 nos três primeiros trimestres deste ano e em R$ 3,90 em dezembro.

Taxas de juros

O mercado futuro de juros teve novo dia de oscilações contidas, refletindo o compasso de espera por novidades da reforma da Previdência e as margens estreitas para arbitragem. Pela manhã desta quinta-feira, 17, houve alguma pressão de alta na curva, que foi aliviada à tarde com ajustes do decorrer do dia. Assim, as taxas curtas terminaram o dia praticamente estáveis, com leve viés de baixa na ponta curta.

O volume de negócios permaneceu reduzido, embora maior que o da quarta-feira. Ao final dos negócios na sessão estendida da B3, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2020 apontou taxa de 6,55%, ante 6,59% do ajuste de quarta. O vencimento de janeiro de 2021 terminou projetando 7,38%, de 7,43% do ajuste anterior. O DI para janeiro de 2023 ficou em 8,50%, de 8,51%.

Na parte mais longa, o DI para janeiro de 2025 terminou a sessão aos 9,00%, de 9,01% do ajuste da quarta-feira. A principal notícia da tarde no cenário doméstico veio depois do encerramento dos negócios no horário regular. Com o mercado ávido por mais detalhes sobre a proposta de reforma da Previdência que será enviada ao Congresso em fevereiro, houve reação pontual no câmbio e na Bolsa quando foi divulgado que o ministro da Economia, Paulo Guedes, falará sobre o assunto durante a viagem a Davos, na Suíça, no Fórum Econômico Mundial.

De acordo com fontes da área econômica, a mensagem de Guedes no fórum será centrada em três pilares: além da reforma da Previdência, as privatizações e a reforma administrativa que está sendo feita pelo governo. Também serão apresentadas metas para os próximos anos, como a de aumentar a corrente de comércio de 22% do PIB para 30% do PIB até 2020.

Para isso, o governo apresentará uma agenda de modernização da estrutura tarifária e de impostos e simplificação para as empresas exportadoras. “A volatilidade no mercado diminuiu nos últimos dias, até porque as taxas tiveram quedas significativas com a expectativa em torno da reforma. Hoje há menos espaço para o investidor movimentar as taxas. No noticiário, somente o que se vê por enquanto são os balões de ensaio em torno do que será a proposta de reforma”, disse Renan Sujii, estrategista de renda fixa da GS Research.